O louco e a Mona Lisa

Ela levantou e foi ao banheiro
Eu me levantei e fui ao banheiro
não sei em qual ordem os versos
aconteceram
mas ao afastar da mesa
aconteceu

Foi empolgante,
doce e com gosto de quero mais
com direito a pausa entre acordes,
dando a noite aquele ritmo
que faz vc querer dançar a noite toda
e não voltar pra mesa tão cedo

Recado para uma bailarina

Você me disse estar sensível e triste:
a sapatilha da bailarina
está aposentada por decepção
E não existe carregador USB
que alimente nosso ego

Mas por isso eu estou aqui,
parar jogar no ventilador
todos os motivos
que você me faz sorrir

Sim, eu correria o risco
de parecer chato
e clichê nesta noite
por te oferecer chocolates e filmes de amor

Mas ainda assim,
te trataria como a rainha
que teve oito filhos guerreiros
para seu rei
nas épocas medievais
da maneira mais exagerada possível

E mesmo que o clima
esteja nervoso
Eu vou te oferecer uma
mochila para juntar nossos
sonhos antes de viajar,
O espelho para te mostrar
que o seu caráter pode ser a cura para a decepção
E toda libertinagem dos loucos
para nos amarmos
até mais tarde.

O que atravessa o tempo

Você e
sua voz
fizeram tanta falta quanto
o limão na caipirinha
que usei para cobrir a sua ausência.

A rebeldia do seus olhar
quando abraçam meus sonhos
revela amor,
mostra a reciprocidade
da nossa fuga,
em todas nossas viagens
pro nosso mundo.

A lealdade do sol
em fugir da lua
é a mesma que tenho
em querer te abraçar
sem máscaras
a cada segundo
com este amor
que atravessa o tempo

Sobre meus costumes e nossa dança

Dançamos ontem como sempre fazíamos, você com vergonha de cada passo e eu com cara de bobo, que só enxergava o seu sorriso em seus olhos. Aquela dança molhada com cachaça e um toque de tempero efêmero que acentua a dor da ressaca no outro dia e que de alguma forma surpreendente me faz querer reviver tudo, cada segundo por diversas vezes.

Talvez mudando o clima, trocando o calor e o suor por uma brisa leve com nossos corpos nus na cama e com a cachaça ao lado, em cima do criado mudo eu possa ver o infinito do mundo, ou talvez ele esteja na minha frente mesmo.

Mas destas incertezas, eu tenho verdades, tenho você, tenho costumes bobos como, por exemplo, ter um rádio por perto para ouvir nossa música e enxergar constelações de suspiros toda vez que eu coloco a minha mão nas suas coxas passeando por seu corpo. Costumes como beber aquela cerveja na sexta-feira a noite como um palhaço que olhou no espelho e se entristeceu com o que viu.

Sim, meus costumes são realmente bobos e eu quero que seja assim, bobos, feios ou bonitos, talvez até inteligentes depois da meia noite, mas tão fugaz e feroz quanto o ataque de um lobo, exagerados como minhas palavras, mas também precisos e lentos quando necessários. Quero assim, quero isso, porque, simples assim, os seus passos completam toda a minha dança.

Ela é bela
e não percebe isso
tem uma mágica própria
de transformar dor
em dia de semana na praia
tem o dom de amar
mesmo em duas horas na fila de banco
ela tem o timbre perfeito para sua voz
que entra afinado em qualquer acorde que
meu coração toque
Ela olha para mim
e já conhece
o meu próximo verso

Peso da poesia

Qual é o peso da poesia?
o mesmo peso do amor ?
do cair de uma folha de uma árvore?
Ou de um chão para um sonho?

certamente o peso deve
conter algumas gramas de sacanagem
sol com piscina e praia

deve ter
sorvete em dias de frio
deve ser escrito
fora da margem do rio
porque o amor e a poesia
sempre fogem as regras

Canções que escrevo

Escrevi canções
para aproximar o meu mundo de ti,
Remei contra a maré
só para ver a lua e as estrelas
deitado ao seu lado.

Escrevi canções
e cantei todas
no seu ouvido,
só para te provocar
e trazer teu mundo
pro meu.

Escrevi canções
sobre nós,
sobre como não há
fome no nosso mundo,
desde que exista
a lua
a maré
uma cama
eu e você